segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O revolucionário Paco Tilha abandona o seu nicho libertário para se mascarar na sociedade que o oprime

As reuniões da célula adormecida continuavam, de forma regular, na cave de Paco Tilha aos fins-de-semana. A luta pelos grandes ideias já não tinha o mesmo significado desde que o partido tinha deixado a clandestinidade. O patronato, esse, continuava a apropriar-se indevidamente do trabalho cristalizado e das mais valias geradas pelos trabalhadores. Os Estados Unidos eram claramente os culpados por esta exportação atroz do capitalismo selvático que condicionava o desenvolvimento dos restantes países do Mundo. A globalização minava a identidade do país.
Na segunda-feira Paco vestia o seu fato Hugo Boss para ir trabalhar no Banco. No caminho ouvia musica no seu I-Pod, retirada da Internet. Na hora de almoço comia um menu do Macdonalds.
Ao voltar para casa alugou um filme americano de acção para ver à noite com a sua mulher, a comer Pop-Corn, sentado no seu sofá de design, enquanto era envolvido pelo som do sistema Surround.


P.M.
(Post Mortem)

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