sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Criatividade

Todas as semanas se abria um Vortex espaço-temporal no quarto de W. Os amigos consideravam-no um tipo estranho. Diziam que escrevia por explosões metafísicas de matéria quântica, argumento rapidamente refutado por W, que assegurava que o seu processo criativo se assemelhava mais a uma implosão interior que o fazia normalmente ver Estrunfes.
Os Estrunfes seguiam-no frequentemente para o vortex mas acabavam sempre como sopa do Gargamel. A repetição deste infortúnio fazia-o relembrar que o mundo é na realidade um lugar injusto, onde os bons raramente ganham.
W tornou-se um comprador compulsivo por acreditar que o Materialismo Dialético era a arte da retórica aplicada na negociação das suas compras. Tinha agora a liberdade para negociar modos de pagamento que lhe permitiam gastar mais do que ganhava.
Sempre misturou os conceitos ao longo da vida. Alguns chamavam-lhe Progressista mas o progresso fazia-lhe uma certa confusão (era uma espécie de “Una Bomber” Algarvio).
Outros chamavam-lhe Libertário mas a única coisa que libertava era, por vezes, uns gases no escritório.
A verdade é que era um adepto confesso da corrente Filosófica “Not Knowing”, sendo muito mais confortável desconhecer estes conceitos perniciosos que poderiam representar algum perigo para a sua vida.
E desta forma foi feliz...

P.M.
(Post Mortem)

1 comentário:

Post Mortem disse...

Nota do autor: "Not Knowing" não é uma corrente filosófica mas uma musica de Tindersticks.