Mostrar mensagens com a etiqueta Post Mortem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Post Mortem. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de março de 2009

O novo léxico anglicista da organização moderna

O Inglês é o novo Latim, reconhecido por todo o mundo civilizado. As novas organizações adoptam portanto determinados “termos técnicos” que me dão, por vezes, vontade de rebolar no chão e rir como se não houvesse amanhã.
É normal que um colaborador (novo nome para um trabalhador) nos peça um “file” que se encontra dentro de uma “folder” que contem um determinado “budget”. No entanto este “budget” necessita ainda de algum “fine tunning”. Nesta altura já estou a rebolar no chão mentalmente e sou automaticamente remetido para aquele momento da adolescência em que acertava o vídeo (VCR) e fazia “fine tunning” todo contente.

Será assim tão difícil falar de um “processo” que se encontra dentro de uma “pasta” que contem um “orçamento” que ainda necessita de uns “acertos”?

sábado, 7 de março de 2009

Brutal Carnificine

Alfredo Panquito acordara no meio de cadáveres de médicos degolados numa das alas das Urgências. Os factos que provocaram esta horrível tragédia remontam a alguns anos atrás quando este Delegado de Propaganda Médica perdeu o seu emprego na sequência da introdução dos genéricos no mercado.

Um estudo apurado da vida de Panquito revela que este convivia mal com a hierarquia. Num país com uma larga tradição corporativa do “chô Doutor”, Panquito desdobrava-se em reverências a estes semideuses da medicina, mas no fundo acumulava uma raiva incomensurável pronta a ser libertada.

Durante anos vendeu medicamentos como o clássico Piralvex (pincelar suavemente sobre a mucosa) em troca de congressos em lugares tão exóticos como as Maldivas. Mas agora tudo acabara…

A frustração levou-o à subversão do juramento de Hipócrates. Os Médicos tinham nas suas mãos o poder da vida e da morte.

A partir desse dia Alfredo iria espalhar a Morte.

P.M.
(Post Mortem)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Don´t quit your day job

A frustração consome normalmente todos os escritores que tardam em ver os seus trabalhos reconhecidos. Para muitos esse reconhecimento vem mesmo a título póstumo (post mortem). Kafka, por exemplo, mandou mesmo queimar todos os seus textos para não ter que lidar com a fama num plano superior kafkiano (por si criado) após a sua morte. Valeu-nos (ou não) a intervenção de Max Brod que evitou esta perda para a literatura mundial.
Escrever é de facto uma inutilidade. O escritor moderno (de notar que eu não me incluo nestas categorias: nem em escritor, nem em moderno) tem sobre si o peso de todos os mestres da literatura que olham sobre o seu ombro e abanam a cabeça dizendo:
“- Que falta de talento. Não deves deixar o teu emprego para te dedicares só à escrita”.
Este acordo tácito entre o novo escritor frustrado e a sombra dos grandes mestres faz com que exista uma nova classe de escritores “part-time” seguindo uma certa tradição “pessoana”.
O novo escritor pode culpar a sociedade que o obriga a desempenhar funções que vão contra a sua natureza de forma a poder sobreviver, mas a verdade é que normalmente, e segundo um filosofo Algarvio: “Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré”.
Esta premissa segue uma orientação determinista Kantiana que revela um certo sentido fatalista próprio do Português.
A indefinição sobre a verdadeira natureza do indivíduo produziu então figuras tão difusas como os exemplos que se seguem: contabilistas com alma de diletante, romancistas como Dan Brown, filósofos com espírito de técnico de contas, escritores de livros de culinária, estrelas pop que escrevem livros para crianças...

Termino com algumas ópticas que podem ser utilizadas na abordagem desta temática:

A interpretação Budista:
Escrever (como tudo na vida) só tem sentido se o fizermos de forma desinteressada e sem esperar algum tipo de reconhecimento.

A interpretação pragmática
Usa a escrita para expurgar o que te consome no dia a dia, mesmo que seja mau. Os outros que leiam.

A interpretação egoísta
Escreve para ti sem ligar à opinião alheia.

P.M.
(Post Mortem)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Devir Astro-Intestinal da Vida

As preocupações gastrointestinais condicionavam a sua atitude perante a vida. A revolução interior revelava uma estranha analogia com o devir e impermanência de toda a existência. O seu antiácido e o que o centrava e devolvia a um eixo psicossomático de equilíbrio causal era o simples acto de tocar nas plantas, aproveitando a sua aura feita de clorofila.
Enquanto outros experimentavam todo o tipo de drogas psicotrópicas à espera da grande revelação que iria salvar toda a tribo, a ele bastava-lhe esta alucinação de fotossíntese.
Foi mesmo detido num parque de Sevilha quando, ao entrar num transe frenético agarrado a uma palmeira, gritava convulsivamente:
- “Sebastião del Cano é que deu a volta ao mundo!!!”.


P.M.
(Post Mortem)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Envelhecer Parte 2

A serenidade atingida com a maturação própria da idade torna-se contraproducente ao nível das ideias. As ideias mais arrojadas (e por vezes estúpidas) surgem quando as nossas hormonas estão ainda aos saltos numa fase imberbe. Apesar de serem hormonas relativamente incultas, estas desempenham um papel que poderá não ter paralelo ao longo da nossa vida adulta. As hormonas adolescentes e inconsequentes compensam o facto de terem pouca paz de espírito com paixões, ideias e opiniões extremadas.
É esse o problema da serenidade e paz de espírito. Não podemos simplesmente desliga-las e dizer:
- Agora vou ter um pensamento bued´arrojado!

Com isto não quero dizer que eu seja algum tipo de “Bodhisattva”, ou seja, aquele ser budista que evita a Iluminação para salvar os outros. Esta atitude alem de arrogante só poderia ser tomada por alguém especial e plenamente sereno, o que obviamente não é o caso.
No fundo o que estou a tentar dizer é que devemos preservar parte da nossa inocência em relação à forma como vemos a realidade e evitar de alguma forma a acomodação intelectual que por vezes é tomada por serenidade.

P.M.
(Post Mortem)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O que faz da passagem de ano um dia pior que os outros

Não me lembro da última passagem de ano em que realmente me diverti. Existe sempre a obrigação latente da diversão generalizada, facto que não contribui para que o indivíduo se solte.
Longe estão os tempos em que a inocência da adolescência compelia um grupo considerável de indivíduos que alugavam uma casa, a fazer uma fogueira no meio da sala com partes arrancadas dos móveis.
Lembro-me vagamente de uma passagem de ano em que estava um tipo na casa de banho a fazer o pino com a cabeça debaixo da água gelada da banheira (que como era normal, era cheia de gelo para refrescar as cervejas). Ou terá sido imaginação minha...
Muitos desses episódios surgem desfocados nas divisões mais sórdidas da mente e a sua veracidade é constantemente posta em causa por um complicado processo interno de rejeição.
As ressacas metálicas de dia 1 são um problema atroz. Grande maneira de começar um ano que todos desejam melhor que o anterior. No caso Português este desejo não é exactamente correcto uma vez que existe o paradigma que o próximo ano é que vai ser mau, sim este é que é o ano da crise, agora é que a crise se vai instalar definitivamente (nesse momento passa um BMW topo de gama por nós).
Nesta altura é também usual elaborarmos um Balanço anual dos acontecimentos mais importantes. Este processo estabelece uma relação deprimente com a pura análise contabilística, em que todos os momentos que mais significaram para nós e para o mundo são arrumados por rubricas e por ordem crescente de liquidez.
Por todas estas razões e por mais algumas este é um dia pior que os outros (ou será igual a tantos outros?).
P.M.
(Post Mortem)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Slave to the Wage

No estilo de vida actual adaptamo-nos cada vez mais às máquinas que foram inventadas para nos ajudar (computadores, máquinas ATM, veículos motorizados...). Na Grécia antiga os escravos libertavam os Filósofos das tarefas mundanas para que estes se preocupassem com questões tão importantes como: qual o significado da vida ou o que acontece se dividir-mos um corpo até ao infinito.
No entanto a nossa forma de pensar está a ficar mais próxima do pragmatismo característico dos nossos escravos mecânicos e não permite um nível de abstracção de pensamento dos Filósofos. A linha de pensamento está cada vez mais próxima do materialismo e consumismo que muitos criticam porque se sentem frustrados em não ter acesso a esses mesmos bens materiais.
No actual estilo de vida as verdadeiras preocupações são: tenho de comprar o ultimo modelo de Telemóvel, tenho de comprar roupas de marca, tenho de passar Férias em Cuba...Vive-se cada vez mais para as aparências. Com toda a formação e oportunidades de aprendizagem a que podemos ter acesso, preferimos voltar-nos para todo o tipo de actividades fúteis.
O reconhecimento social não é medido em termos das reais capacidades do indivíduo mas este é avaliado na proporção dos bens materiais que possui. Logo, isto estimula o resto da sociedade a almejar a estes mesmos bens materiais.
A existência do dinheiro só faz sentido porque existem um conjunto de dívidas na sociedade. A oferta de moeda física dos Bancos Centrais é aumentada para compensar o facto de somente 3% de todo o dinheiro ser físico, sendo o restante virtual (impulsos informáticos). Alimentamos portanto um sistema em que o dinheiro realmente não existe, pagamos as nossas dívidas e chegamos à conclusão que os verdadeiros escravos somos nós.


P.M.
(Post Mortem)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Exibicionista

A música alternativa tem os seus dias contados. A verdadeira música alternativa tem a sua expressão máxima quando o ouvinte recorre ao uso de “headphones”. Nesse caso a musica é tão alternativa que está limitada a um só indivíduo.
Hoje assiste-se a um recrudescimento desta tendência. O ouvinte outrora introspectivo e masoquista deu lugar ao exibicionista que precisa de atenção. A nova capacidade dos telemóveis projectarem para o espaço uma “playlist” outrora pessoal e inviolável tem tanto de voyeurista como de obsceno. A verdade é que as pessoas têm necessidade de mostrar o que estão a ouvir, por mais ridículos ou imbecis que possam parecer os seus gostos musicais.
O velho tijolo Boombox dos anos 80 foi miniaturizado e os novos ouvintes sedentos de atenção carregam-no à volta do pescoço como verdadeiras mulas do Hip-hop, modistas mostram na retrosaria o ultimo êxito de Tony Carreira com a Popota, fritos do tecno-transe-industrial são estimulados por uma frequência que os faz ver Deus e se assemelha a um Mantra de repetição eterna, fanáticos do Quim Barreiros insistem em pôr o carro na garagem da vizinha…
Viva a Era da Exposição! Expomos os nossos gostos musicais, expomos a nossa intimidade e expomos as nossas opiniões em Blogs.

P.M.
(Post Mortem)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O efeito Borboleta

Segundo uma interpretação popular da Teoria do Caos, tudo está relacionado. Por exemplo se uma borboleta bate as asas no Brasil pode desencadear um terramoto em Kathmandu.
Em Portugal, factos aparentemente não relacionados e independentes entre si, têm afinal um nível elevado de correlação depois de observados segundo os pressupostos desta teoria. Vejamos alguns exemplos:


- O Sr. Silva não conseguiu pagar as prestações do empréstimo que havia contraído para compra de uma casa. Logo foi obrigado a entrega-la ao banco encontrando-se presentemente numa situação de insolvência grave.
- Nesse mesmo momento um banco declarou um passivo de 700 milhões de Euros. Ao contrário do Sr. Silva, o banco não foi obrigado a cumprir as suas obrigações, o Estado decidiu a sua Nacionalização com dinheiro dos contribuintes (entre os quais se encontra o Sr. Silva).


- Uma Universidade do Norte fecha as suas portas durante 15 dias para poupar electricidade, devido aos cortes orçamentais promovidos pelo Estado.
- Nesse momento todas as cidades Portuguesas enchem-se de iluminações de Natal. O Natal começa agora em Novembro e as autarquias estão mais preocupadas com as próximas eleições do que com o pagamento de contas de electricidade.
Como vêm está tudo ligado…



P.M.
(Post Mortem)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Romance Retro (Pseudo-Intelectual)


Ela jogava Space Invaders no salão de jogos. Ele tinha conseguido chamar a sua atenção, enquanto assistia ao jogo, proferindo a seguinte afirmação:
- O Space Invaders é o jogo mais maniqueísta que conheço...
Ao que ela respondeu:
- Este jogo põe em causa o princípio da Incerteza de Heisenberg. Simplesmente não tem qualquer factor de incerteza. É completamente previsível. Os marcianos limitam-se a andar da esquerda para a direita e vice-versa.
- Lamento discordar mas existem sempre factores externos, que fazem com que não alcances sempre a mesma pontuação.
- Ah sim? E que factores são esses?
- Eu, por exemplo.
Nesse momento os dois aperceberam-se que eram uns verdadeiros “nerds” e correram para a casa da mãe dela, onde copularam toda a tarde.

P.M.
(Post Mortem)

domingo, 16 de novembro de 2008

Our Endless Numbered Days

Somos diariamente confrontados com uma ansiedade crescente que se exaspera com a passagem do tempo. Ansiamos avidamente que a semana passe e que chegue finalmente o fim-de-semana. Ansiamos que chegue o fim do mês para pagarmos as dívidas. Ansiamos que chegue o Verão e com ele novamente o calor. Ansiamos que passe o Natal para podermos novamente respirar. Ansiamos sempre qualquer coisa e esquecemo-nos por vezes de viver (porque como alguém uma vez escreveu: Viver Todos os Dias Cansa).
Nota: Este pensamento lacónico foi obtido na casa de banho enquanto desfocava ao olhar para um azulejo manchado durante meia hora e recebeu uma menção honrosa do júri dos jovens Católicos da Rádio Renascença.

P.M.
(Post Mortem)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Criatividade

Todas as semanas se abria um Vortex espaço-temporal no quarto de W. Os amigos consideravam-no um tipo estranho. Diziam que escrevia por explosões metafísicas de matéria quântica, argumento rapidamente refutado por W, que assegurava que o seu processo criativo se assemelhava mais a uma implosão interior que o fazia normalmente ver Estrunfes.
Os Estrunfes seguiam-no frequentemente para o vortex mas acabavam sempre como sopa do Gargamel. A repetição deste infortúnio fazia-o relembrar que o mundo é na realidade um lugar injusto, onde os bons raramente ganham.
W tornou-se um comprador compulsivo por acreditar que o Materialismo Dialético era a arte da retórica aplicada na negociação das suas compras. Tinha agora a liberdade para negociar modos de pagamento que lhe permitiam gastar mais do que ganhava.
Sempre misturou os conceitos ao longo da vida. Alguns chamavam-lhe Progressista mas o progresso fazia-lhe uma certa confusão (era uma espécie de “Una Bomber” Algarvio).
Outros chamavam-lhe Libertário mas a única coisa que libertava era, por vezes, uns gases no escritório.
A verdade é que era um adepto confesso da corrente Filosófica “Not Knowing”, sendo muito mais confortável desconhecer estes conceitos perniciosos que poderiam representar algum perigo para a sua vida.
E desta forma foi feliz...

P.M.
(Post Mortem)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Geriatria espongiforme

Num dia mau, deambulo por Faro, a cidade morta, despida das pessoas que preferem fazer compras nas grandes superfícies. Só os junkies correm apressados à procura da próxima dose. Encontro algum conforto no facto da cidade ser só minha. O sentido de posse que só os desventurados sentem. A cumplicidade na podridão e decadência exponenciadas pelo horário de Inverno.
Os velhos precipitam-se pelos passeios pejados de carros, impedindo a passagem, numa valsa lenta que aguarda relutante o fim. Pensamentos geriátricos assolam-me e fazem-me acreditar que este país é de facto para velhos...
(E eu não estou a ficar mais novo).

P.M.
(Post Mortem)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O Caldeirão Mágico

É oficial, Portugal tornou-se também um Caldeirão das Nações (Melting Pot), fundindo numa escala micro-cultural diversas Nacionalidades numa espécie de Cataplana Étnico-Cósmica.
Graças aos grandes fluxos de emigrantes que procuram melhores condições de vida no nosso país (vá-se lá saber porquê?) poderemos finalmente sair do marasmo consanguíneo em que nos encontramos e que explica em parte a ausência de ideias.
O facto de não nos misturamos muito é tradicionalmente evidente no caso de famílias abastadas que promoviam casamentos entre primos no 1º grau para que a fortuna não se dissipasse (D. Duarte Pio é o exemplo acabado deste tipo de união).
São os sinais dos tempos modernos. Hoje vi um puto chinês (por ironia do destino era o que me chamavam na primária – Puto Chinês) a falar com um típico sotaque algarvio e há quem assegure que já viu um Ucraniano Bimbo.

P.M.
(Post Mortem)

domingo, 28 de setembro de 2008

The Special One

Todos necessitamos de nos sentir especiais. Foi esse o desígnio fundamental que o marketing barato adoptou para cativar os seus clientes. Ao longo da nossa existência pomos constantemente em causa este princípio devido aos desaires em que a vida é fértil e aceitamos a verdade inconveniente de que somos somente normais.
Não é em vão que assistimos cada vez mais a filmes de super-herois e projectamos neles todas as nossas capacidades potenciais. Alimentamos o sonho de que algumas dessas capacidades adormecidas sejam por fim reveladas e que deixemos finalmente a nossa marca neste mundo.
O Batman, por exemplo, não dispõe de poderes especiais para alem da tecnologia que usa, pelo que nos sentimos solidários com a sua fragilidade. O facto de este ser corajoso apesar de ser apenas humano, faz com que sintamos por ele uma certa empatia.
O Super-homem no entanto já não tem nada de humano. Para alem da sua invulnerabilidade evidente, foi claramente inspirado no Übermensch (Super Homem) do tio Nitos, sendo erradamente conotado com a causa Nazi e o ideal da raça Ariana.
O Homem Aranha é para mim o mais humano dos superherois. Tem de lavar o fato na máquina e remendá-lo à mão. É atormentado pelos problemas do homem comum e não tem muito jeito para relações amorosas.
Em síntese, vivemos o sentimento de que existe um Messias adormecido dentro de nós (certamente restos da nossa educação judaico-cristã) e esperamos que uma voz interior desperte e diga:
“The sleeper must awaken”

P.M.
(Post Mortem)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Encontro bio-plasmático

Num final de tarde semelhante a uma foto de um folheto das Testemunhas de Jeová, em que os raios de sol espreitam abruptamente por entre as nuvens, duas amigas encontram-se e invejam a Aura uma da outra. A capacidade de ver as Auras era agora possível através da utilização dos óculos estroboscópicos da moda. Aqui se reproduz parte da sua conversa transcendental.

Maria Prânica: É com alguma preocupação que noto algumas imperfeições na tua Aura.

Joana OM: Pois é, preciso de um Kame Hame espiritual para reparar alguns dos meus Chacras. Que chatice… Mas a tua também está com uma coloração estranha.

Maria Prânica: Sim, o Doutor Kirlian já me havia falado nisso. Acho que tem a ver com a alimentação. Eu tenho sempre o Castrol elevado.

Joana OM: Pois, a minha tem estas oscilações devido à minha doença. Sabes que eu sou Binomial, não é… Os Binomiais andam sempre nos extremos e isso não é bom para o equilíbrio do Chi.

Maria Prânica: Pois, olha, gostei de te ver. O que é preciso é saúde…

Joana OM: Pois é, saudinha da boa…

As duas amigas haviam sintetizado filosofias orientais milenares numa uma premissa tipicamente portuguesa que representa o equilíbrio espiritual:
“ O que é preciso é ter saúde… Saudinha da boa”

P.M.
(Post Mortem)

domingo, 21 de setembro de 2008

Programa Circular

#error Decidi recriar toda a realidade na linguagem de programação C++. Há muito que vivo num limbo paralelo escrito em código. No entanto, encontrei algumas anomalias (anormalias em Algarvio) na linha de comando da metafísica. Os erros sucedem-se e sinto que estou a enlouquecer. #error
#undef A ambição desmesurada está a destruir a minha sanidade. Sinto que estou a um passo de conhecer o tecido essencial que move todo o pensamento mas algo me parece escapar. #undef
#pragma Uma variável fundamental permanece imperscrutável, atormentando-me em sonhos como uma espécie de matéria negra da programação, inacessível ao comum mortal. #pragma
#return Se ao menos Nietzsche aqui estivesse... Finalmente atingi a plenitude do eterno retorno... Todas as linhas de programação remetem para as linhas iniciais formando um dilema circular indecifrável. #return
Obs1. Dedicado ao Jacques e ao seu Amo
Obs2. Qualquer semelhança com o filme Matrix é mera coincidência

P.M.
(Post Mortem)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poema Póstumo

Hoje finalmente te ofereci flores.
Deixei-as perto da campa nº 64
(por debaixo da Gárgula).

P.M.
(Post Mortem)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Brandos Costumes

Os portugueses finalmente abandonaram os brandos costumes. Séculos de acomodação pacifista do tipo “Laissez-Faire”, acumularam e concentraram o mal que agora se liberta. Foi recuperada a velha máxima que dá titulo a um livro foleiro de anedotas: “Viver sem trabalhar num Pais à Beira Mar” e esta passou a ser a Filosofia reinante. O desafio à autoridade e a transgressão das regras são algo relativamente novo a ser experimentado e como tudo no caso português é levado ao extremo.
A criatividade nas acções lesivas do bem comum chega mesmo às expressões utilizadas. Para mim, por exemplo, o “carjacking”, “motojacking” ou “hijacking”, significam uma coisa: o desvio ou roubo de um bem móvel. Os portugueses conseguiram inventar o “homejacking”, que na minha perspectiva só seria possível se todos vivêssemos num parque de caravanas.
No entanto o uso do “homejacking” não é de todo infundado, uma vez que as expressões “Trailer-Park” ou “White Trash” são usadas pelos Americanos em relação a quem habita neste tipo de refugos de caravanismo permanente e reflecte a actual situação social Portuguesa. Afinal vivemos mesmo num parque de caravanas nos arredores da Europa.

P.M.
(Post Mortem)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Os loucos

Por vezes invejo os loucos. Estou portanto na cidade ideal uma vez que Faro tem a sua quota-parte deles (não tão grande como Lisboa claro). Neles as portas da percepção estão definitivamente abertas.
Figuras míticas como “O Urra” (Elias de seu nome), ilustre morador da Estrada de São Luís, a “Smarties” que se fritou com os ácidos nos 70as, uma gorda de quem não sei o nome mas que fala sozinha em falsete pelas ruas, o saudoso “Julinho” (O Marreco) que foi o terror da minha infância e que atirava pedras a tudo que mexia; todos eles têm somente como seus confidentes os animais que adoptam ou as pedras da calçada.
Há algo de castrador em ser supostamente “normal”. A ideia de que não absorvemos a realidade como um todo, que somente parte dela nos está reservada através de um elaborado filtro social. Os loucos abdicaram desse filtro e é isso que os torna especiais.

P.M.
(Post Mortem)