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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"Stop-motion"

Ás vezes o tempo parece que pára e prende-nos numa espiral de pensamentos que julgávamos esquecidos ou até mesmo "enterrados", um simples e pontual acontecimento determina toda uma série de efeitos-dominó construídos de forma precária e arcaica na nossa mente e ficamos (como normalmente se designa) "a patinar na mayonnaise".

O cérebro arranja forma de combater este "replay" aborrecido que leva a um circulo vicioso e repetitivo até que nos recordamos da razão porque decidimos "exilar" para o gulag este tipo de pensamentos (geralmente há uma razão) e impede-nos de cometer o mesmo erro vezes sem conta (ou não) de qualquer forma se o cérebro não tratar do assunto o senso-comum acaba por prevalecer e evitar a reprodução de acontecimentos lamentáveis e dignos de ser esquecidos.

O problema é o "loop" que fica... mas mesmo esse "loop" vai perdendo força e as réplicas vão-se esbatendo até se tornarem ecos surdos condicionados por um débil sentido de auto-protecção.

É o preço a pagar por estar vivo. Vá de empurrar a bolinha para cima do monte outra vez...




Sissi Fu

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vá... Catarse.

Tudo na vida é feito de ciclos. A própria vida o é.

Ciclos que acabam e começam, tal como fazer o 5º e 6º na Afonso III, não existem ciclos inacabados, toda a ideia de existir um ciclo implica um fim e um começo e cenas pelo meio (que não interessam).

Quando se imagina que um ciclo não acabou, anda-se no limbo, a vaguear por dimensões paralelas que pouco tem a ver com a realidade, preso à linha que se desviou do eixo do ciclo, chama-se a isto negar a realidade.
Quando se assume que o fim de um ciclo antes de ser um fim é um principio (de outro ciclo) é bom sinal, de optimismo e crença no futuro mas o importante é assumir que um deles acabou para poder começar o outro.

Há pessoas (como eu) cujo relógio "espaço-temporal" é mais esbatido e os "timings" de interiorização são mais lentos acabando por atrapalhar o "normal seguimento das coisas" (que é como quem diz resignação) atrasando assim o normal curso do ciclo, atrofiando-o e comprometendo o principio do ciclo seguinte.

Na vida nasce-se e morre-se, durante a vida vamos morrendo e renascendo e é no meio de nascimentos e funerais que vamos passeando até que nos tornamos indiferentes e assimilamos que a vida é mesmo assim: feita de ciclos.


domingo, 13 de junho de 2010

Mas quem será o pai da criança?

O dia de Santo António é um dos melhores dias para se estar em Lisboa, isto para quem gosta de alcóol, confusão, muitas pessoas, mais confusão, sardinhas e um pouco de "pimba" á mistura, é o espirito da coisa.

As ruas estão cheias de pessoas bebadas e há fogareiros a bombar sardinhas por todos os cantos, nos bairros tipicos a festa é rija e sempre á abrir, pessoas de todas as idades dançam frenéticamente ao som do pimba e (claro) há sempre porrada. Tá calor na rua, é verão o que tambem ajuda á coisa, os vestidos leves e coloridos das "bambies pululantes" que passam e sorriem dão um tom psicadélico aos passeios cheios de latas, garrafas e copos de plástico vazios, paira um certo equilibrio cósmico pelo ar...

Mais uma cerveja, mais um "flirt" no meio da multidão, um pézinho de dança e... voltar a repetir todo este procedimento, é simples, de vez em quando é inevitável soltar um sorriso por estar a dançar musica tão pirosa mas faz parte do espirito, no fim da noite depois de passar pelo "limbo", ligar o piloto-automático e chegar a casa uma pergunta não me saía da cabeça... Mas quem será o pai da criança???




Mary Alva

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Do NOT ignore the auto-pilot (um post para Darwinistas)

O ser Humano está em constante evolução, desde o princípio dos tempos que nos vamos adaptando às adversidades e evoluíndo como espécie, primeiro começámos a andar erectos, depois a usar as mãos, inventámos o fogo... e por aí adiante até á playstation 3, lábioplastias e telémoveis onde se põe os dedos no ecrã.

Assim como a Humanidade foi evoluindo gradualmente até á forma que conhecemos hoje, todos nós passamos por "fases" evolutivas ao longo da nossa vida e vamos desenvolvendo capacidades que nos permitem ultrapassar as adversidades próprias da nossa contemporaneidade e, continuar a avançar na escala evolutiva.

No meu caso concrecto desenvolvi uma capacidade (ou funcionalidade) a que decidi chamar "auto-pilot" (em Inglês porque é a língua franca do mundo e é mais fácil para gíria tecnológica) que consiste num sistema de orientação abstracto que me tráz a casa cada vez que não estou em condições para fazê-lo. Todo este processo passa-se a um nível subconsciente, ou seja não me lembro de nada, o que é certo é que acordo em casa, são e salvo e (quase) sem mazelas, é tipo: Azimute 3,4... arranca!

A uníca preocupação a ter com este sistema de navegação urbana é não ignorar o aviso, é como ter um carro e ele entrar na "reserva": sabemos que só faz mais X quilómetros e acabou, fica ali.
Assim é o "auto-pilot" quando o aviso surge só há mesmo o tempo necessário para chegar a casa e ignorá-lo pode significar ficar a dormir nas escadas do prédio, na casa de banho ou até mesmo pelo caminho (em casos extremos).


P.S. não tentem isto em casa.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Dronfe le monde"/O neo-eremitismo

O neo-eremitismo está muito em voga, esta parece ser a melhor opção nos dias que correm para quem está farto da sociedade em geral ou apenas das pessoas em particular.

O isolamento sempre foi uma boa maneira de combater chatices e se isso nos corta os laços com tudo o que diz respeito a relacionamentos e comportamentos socias (que afinal é o que se pretende) então temos aqui uma boa alternativa a tornarmo-nos assassinos em série ou violadores éticos. Por outro lado é tambem um excelente exercicio de auto-conhecimento e permite uma reflexão profunda sobre nós mesmos e sobre os grandes dilemas do universo.

Com o avanço da medicina e dos cuidados paliativos e juntando isso a tudo o que já foi aqui referido temos tudo o que precisamos para ser neo-eremitas. As cavernas são obviamente hoje quartos que têm alguns luxos modernos que ajudam o eremita a abstrair-se, tais como: computadores, televisões, qualquer coisa que dê som, ou até mesmo livros, tudo coisas que os eremitas antigos não tinham, o acesso a "drogas desenhadas" vulgo drunfaria farmacêutica é apoiado por médicos que enchem os bolsos graças á ascensão do "Homo-eremitus".

Quando procurei referencias para o eremita contemporaneo eis que me deparo com Henry Thoreau, escritor Americano que escreveu "a desobediencia civil" preso por não pagar impostos porque se recusava a financiar a escravidão e a guerra, que decidiu por fim sábiamente tornar-se eremita, bem... é um exemplo um bocado antigo mas mostra já um eremita diferente do "homem das cavernas" acompanhando assim toda uma evolução no eremitismo até aos dias de hoje.

É preciso dizer que a medicina ajuda bastante o eremita moderno a isolar-se da sociedade, os dignósticos são fáceis... és paranoico? tens de tomar anti-psicoticos, ansioliticos e inibidores da recaptação da serotonina... Fácil. Depois é só colocar em posição fétal e regredir até ao útero materno, o unico sitio onde estivemos verdadeiramente protegidos, repetir o processo diariamente e ao fim de semana nunca esquecer das 3 voltinhas ao bilhar grande... e tá feito. Temos o "zombi produtivo"/neo-eremita controlado.

(Quero deixar aqui um grande bem-haja á industria farmaceutica e aos avanços obtidos nos cuidados paliativos)