Hoje ligamos a TV ou o computador e apanhamos logo alí de chapa mesmo no trombil, anúncios de produtos cuja existência desconhecíamos, e que a falta que nos fazem é tanta como a vontade de levar no cú. Enfim, a publicidade já não é o que era. O avanço tecnológico roubou o romantismo às técnicas promocionais, que outrora eram utilizadas para fazer chegar até nós a existência dos bens de consumo necessários.
Lembro-me de quando era pequeno assim que vinham os primeiros dias cinzentos de Setembro, ouvia-se na rua um som de flauta-de-não-sei-quê que era tocada por um senhor que andava pela rua com uma bicicleta adaptada a arranjar guarda-chuvas e a amolar facas. Fazia pequenos biscates artesanais, e com um “toque corrido” na flauta, que fazia a vez de “pregão” anunciava aos moradores da zona os seus serviços. Os pregões como formas de publicidade rudimentares felizmente ainda se praticam nos dias de hoje, e embora estejam quase moribundos são em certas situações mais frequentes do que supomos. Nas praias ouvimos amíude: “olha a bolinha de Berlim” do homem dos bolos, ou o célebre: “é frut-ó-chocolate”, quando de gelados se trata. Nos mercados e feiras as varinas ou os tendeiros gritam ou utilizam megafones oferecendo o peixe mais fresco ou 10 pares de peugos rotos por 1 euro. De porta em porta andam mórmones ou testemunhas de Jeová, que nos tentam impingir o seu produto: um lugar cativo no céu para que, quando chegar a hora de ir ter com o Criador não fiquemos a dormir na rua, no meio das nuvens talvez. Uma espécie de agentes imobiliários do firmamento. Nos locais recreativos nocturnos promovem-se romances com flores de estufa tão mirradas quanto as promessas de felicidade que evocam: “Ké frô?” Mas nos baixios marginais da estrutura social, a publicidade tem uma importância fulcral, e é essa que mais aprecio. Basta ir a uma zona de má fama onde belas donzelas libidinosas de lábios suculentos e decotes exuberantes nos prometem o céu na terra, através da transcendência carnal pela experiência. Nas proximidades há vendedores de “alegria” que anunciam o seu produto discretamente: “olha a branca; é da castanha; goma afegã” etc, embora o pregão usado nestes locais, que marca a qualidade do produto e que realmente conquista a confiança do consumidor também pela sua capacidade de síntese, é sem dúvida o: “é da boa”. E está tudo dito.
Consumidor anónimo (sabe-se lá do quê)
Lembro-me de quando era pequeno assim que vinham os primeiros dias cinzentos de Setembro, ouvia-se na rua um som de flauta-de-não-sei-quê que era tocada por um senhor que andava pela rua com uma bicicleta adaptada a arranjar guarda-chuvas e a amolar facas. Fazia pequenos biscates artesanais, e com um “toque corrido” na flauta, que fazia a vez de “pregão” anunciava aos moradores da zona os seus serviços. Os pregões como formas de publicidade rudimentares felizmente ainda se praticam nos dias de hoje, e embora estejam quase moribundos são em certas situações mais frequentes do que supomos. Nas praias ouvimos amíude: “olha a bolinha de Berlim” do homem dos bolos, ou o célebre: “é frut-ó-chocolate”, quando de gelados se trata. Nos mercados e feiras as varinas ou os tendeiros gritam ou utilizam megafones oferecendo o peixe mais fresco ou 10 pares de peugos rotos por 1 euro. De porta em porta andam mórmones ou testemunhas de Jeová, que nos tentam impingir o seu produto: um lugar cativo no céu para que, quando chegar a hora de ir ter com o Criador não fiquemos a dormir na rua, no meio das nuvens talvez. Uma espécie de agentes imobiliários do firmamento. Nos locais recreativos nocturnos promovem-se romances com flores de estufa tão mirradas quanto as promessas de felicidade que evocam: “Ké frô?” Mas nos baixios marginais da estrutura social, a publicidade tem uma importância fulcral, e é essa que mais aprecio. Basta ir a uma zona de má fama onde belas donzelas libidinosas de lábios suculentos e decotes exuberantes nos prometem o céu na terra, através da transcendência carnal pela experiência. Nas proximidades há vendedores de “alegria” que anunciam o seu produto discretamente: “olha a branca; é da castanha; goma afegã” etc, embora o pregão usado nestes locais, que marca a qualidade do produto e que realmente conquista a confiança do consumidor também pela sua capacidade de síntese, é sem dúvida o: “é da boa”. E está tudo dito.
Consumidor anónimo (sabe-se lá do quê)
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