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domingo, 14 de março de 2010

O homem que respirava demasiado alto

Já há muito tempo que não acontecia nada nas minhas viagens matinais de autocarro que justificasse partilhar mas eis senão quando aparece um gajo que respirava demasiado alto.

Nunca tinha pensado nisto, até agora, para mim nem associava nenhum som ao acto de respirar mas ter conhecido aquela personagem acrescentou mais essa dimensão aos meus sentidos: o som de respirar.

E como respirava aquele senhor! ouvia-se bem que ele respirava, fazia questão que isso fosse notado, aquele statement "oiçam o meu respirar" fez me pensar que não iria gostar nada de por exemplo ficar encravado num elevador com aquele personagem enquanto ele continuava a aspirar e exalar o ar furiosamente como se não houvesse amanhã.



Utente Fluorescente

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A banalização da morte

Um morto é uma tragédia, um milhão são estatistíca (ou algo assim do género), assim como o puto vê o Bruce Willis no filme, os mortos entram em nossa casa diariamente, no telejornal, em qualquer filme de acção (especialmente com o Steven Seagal) e até mesmo num jogo de futebol, enquanto petiscamos uma sandocha lá vamos assistindo ao desfile de cadáveres de todas as partes do mundo, uns bons, outros maus, outros simplesmente incógnitos, alguns estropiados, mortos á "katanada" ou á queima-roupa com uma caçadeira enquanto enquanto dormem numa carrinha... a "variedade de oferta" é enorme.

É uma inevitabilidade já se sabe, para morrer basta estar vivo, por isso por um lado até é bom sermos habituados e expostos a esta "cultura da morte" diária e contínuamente, é como um "lembrete" que dispara aleatóriamente, depois torna-se banal, entranha-se, e torna-se parte essencial do nosso dia-a-dia. Mas não estará isto a tornar-nos insensiveis?

A morte faz parte do nosso dia-a-dia, habituamo-nos a ela sem a compreender, de um certo modo fascina-nos e isto pode ser visto por exemplo quando há acidentes na estrada ou pessoas atropeladas por combóios, a tendencia é ir dar um "espreitadela" para satisfazer a curiosidade mórbida, a propósito disto, no outro dia estava a ir para o trabalho e vi um gajo morto na rua, estava estendido no chão com as costas numa parede e parecia ter sido espancado, naquela zona há algumas senhoras que vendem o corpo por isso deve-se ter metido com alguma e foi espancado pelo chulo, "não é uma boa imagem para se ter de manhã" pensei eu e fiquei a pensar nisso durante um bom bocado, depois distraí-me com outra merda qualquer e não pensei mais nisso.

Hoje é dia dos mortos, o pessoal vai aos cemitérios e é um dia bom para o negócio das flores, é um dia em que lembramos "os nossos mortos"... até na morte somos egoístas... com os mortos dos outros podemos nós bem... É este paradoxo que ainda não consegui perceber: somos habituados á morte desde que nascemos mas cada vez que morre alguem próximo parece que é a primeira vez, e não vai ficando mais fácil... deve ser a isto que chamam "o mistério da vida".




Bru Wili